Linux

Pensei um tempo como te falar sobre a sua família, quem seria o primeiro a te apresentar? Papai? Mamãe? Avós ou avôs? Não, melhor ainda, o ser que você mais ama, mais admira: o Linux.


No dia 20 de fevereiro de 2010, estávamos saindo da casa dos seus tios, lá no Jardim São Paulo, e logo na rua de baixo da casa deles demos de cara com um gatinho branquinho, com cara de assustado e aparentava ter 2 meses.  Eu que sou uma manteiga derretida não aguentei e disse ao seu pai que precisávamos resgatá-lo, você já deve ter percebido (se não, logo perceberá) que sua mãe ama gatos, ele ficou meio relutante, mas após ter que salvar o pequeno gatinho de quase ser atropelado e de ver minhas lágrimas, concordou em levá-lo pra casa pra depois vermos o que faríamos. Deu muito trabalho pegá-lo, ele corria de um lado para o outro, se escondia, estava com medo o coitadinho, até que por fim ele se escondeu numa casa que estava com o portão aberto (a dona da casa até apareceu e perguntamos se o gato era dela e ela disse que não e me deixou procurá-lo), peguei ele atrás de uma estátua que tinha ao lado da porta da mulher. Escondemos o gato na mochila e pegamos o metrô, ele estava tão assustado que nem se mexia. No fundo seu pai sabia que não tinha volta, aquele gatinho ficaria em casa pra sempre.

Já em casa dei leite pra ele, arrumei um cantinho dentro do banheiro, com tapetes, jornal pra fazer xixi, leite e um pote pra ele se esconder. Ele era tão pequeno, que o pote de sorvete, daqueles de dois litros, era grande pro filhote.

Ele era medroso de dar dó, só se escondia o tempo todo. O engraçado é que ele enfiava a cabeça em algum buraco e achava que ninguém ia ver, então só víamos um rabo se mexendo saindo de algum canto.

 Por duas semanas fiquei pajeando o gatinho, dava leite morninho com conta gota pra ele, ensinei a comer, confesso que ele deu mais trabalho que você nas primeiras semanas, eu acordava de cada 2 horas com ele chorando e ele só parava quando eu o pegava no colo. Mas aos poucos ele foi se soltando, explorando o apartamento.

Ele durante o dia só dormia no meu colo, precisava colocá-lo na cama, deixar a TV ligada e sair de fininho, se não ele acordava e chorava de se ver sozinho, ainda mais que nessa época ele não conseguia descer da cama sem ajuda.

Com o tempo ele foi demonstrando seu gosto por equipamentos eletrônicos, deitava em cima do computador, do celular (isso mesmo, ele era tão pequeno que cabia inteiro sentado em cima de um celular), da TV, daí vem seu nome Linux, que é um software livre que tem como símbolo um pinguim super fofo, que se chama Tux, mas eu não sabia disso na época.

Seu pai tinha inventado de desmontar  três computadores velhos e transformar em um franskesntein, mas ficou enrolando com aquela pilha de PCs velhos e abertos um tempo até mandar tudo pra reciclagem. Enquanto ele ficava montando e desmontado, instalando e desinstalando várias versões de Linux, o nosso Linux entrava nas máquinas e mordia tudo.

Um dia seu pai inventou de comprar uma fórmica para usar de fundo em fotografias, mas o trambolho só ficava guardado, enrolado no chão. Advinha quem adotou aquilo. O Linux usava de corredor da diversão, ficava correndo de um lado para o outro e rolando dentro do rolo. Uma vez eu decidi que ia  fotografar ele brincando e não é que as fotos ficaram muito boas! Gostei tanto que enviei uma para a Folha, numa sessão de animais domésticos e ela foi publicada. O Linux ficou famoso!

Nessa mesma época ele tinha uma mania de levar todos os bichos de pelúcia da casa para o pote de ração, era uma gracinha até ele começa a morder e destruir os bichos. Por fim ele adotou uma pata e ele só desconta nela hoje, mas não que não tenha tentado pegar os seus bichinhos, antes mesmo de você nascer.

O Linux foi ficando, aprontando e aprontando mais um pouco. Antes de você nascer ele era o príncipe da casa, curiosamente, depois que você nasceu ele acha que subiu de posto, que agora é rei e você o príncipe. Bichinho engenhoso do meu coração.

                        

Como encontramos ele já nascido, estimamos a idade e tivemos que escolher uma data de aniversário , então seu pai sugeriu 3 de dezembro, que ficou. Então hoje,  ele fez dois anos e ganhou um bolo. Como nem você nem ele comeram, nós dois tivemos que comer inteiro, 3/4  pro seu pai e ¼ pra mim!