Montessori

Quando você Yuri estava com uns três ou quatro meses descobri a pedagogia Montessori através de uma publicação qualquer no facebook. O texto falava especificamente de quartos montessorianos e camas no chão para trazer mais independência, nada além, porém foi o suficiente para ascender aquela luzinha e procurar mais sobre o assunto. Descobri mais sobre o método, muito além da arrumação do quarto, mas sim uma proposta de vida, de repensar os espaços, o nosso modo de agir e propiciar atividades significativas para a criança. Não uma hiperestimulação para que engatinhasse mais rápido e sei lá mais o que, como é bem comum ver por ai. Mas sim uma proposta respeitosa, pensando no tempo e nos interesses da criança a cada fase.

Já fazíamos cama compartilhada, Yuri dormia em um colchão no chão durante o dia, tomava banho de chuveiro com o Caio e carregávamos ele virado para frente para que visse o mundo que o cercava. Seria então uma questão de internalizar os conceitos e colocar em prática. Em pouco tempo descobri grupos no facebook sobre Montessori, grupos do Brasil todo, e de São Paulo, estavam começando a propor encontros mensais para que famílias montessorianas pudessem se encontrar e trocar experiencias, e que as crianças pudessem brincar.

20130922_163929Desse grande grupo a amizade se estreitou com outras quatro familias: Marilia, Christian e a Nicole; Nanda, Nando e a Vitória; Milena, Alan e o Luigi e a Ana Paula, Thyago e a Nalu. Esse grupo de pessoas nos propiciaram muitos momentos de afeto, aprendizado e amizade, e ainda hoje quando possível conversamos (pelo menos as mães), pois nos espalhamos pelo planeta. As famílias cresceram, seus amigos ganharam irmãos (você ganhou gatos, ta valendo também kkkkk), Nicole ganhou Iris, Luigi ganhou Noah, Nalu ganhou Cora, Vitória ganhou Nicolas e agora esta vindo mais um baby. O que acho mais legal disso tudo é que mesmo com a distancia, sem se verem, você se recorda deles, lembra de fatos pontuais, ou quando ouve algo sobre o local que eles moram. Morro de saudade dessa época e desejo num novo encontro mais pra frente.

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Voltando ao método, eu nunca consegui fazer com você muitas atividades que eram propostas, privilegiava as atividades de vida prática, casa adaptada para você circular e se virar, o que deu muito certo. Porém quando mudamos para Joanópolis tudo ficou mais difícil, seja pela rotina com a vó, por trabalho, pela faculdade e por ai vai, Montessori ficou meio de lado.

Porém nos últimos meses, aos 7 ano e meio praticamente, temos sentido que você vem exigindo mais de nós, física e emocionalmente. Crescer e saber o que quer trás alguns problemas, ficar na frente da tv vendo o mesmo desenho, episódio atras de episódio é muito confortável, mas não gera estimulo positivo de maneira nenhuma, ou então jogando videogame. Foi preciso eu sair da minha zona de conforto, refletir e te tirar da sua zona de conforto, retomar o que foi deixado lá trás e criar uma nova rotina.

Decidi retomar as atividades montessorianas, escolhendo tópicos para trabalharmos o conteúdo da mais diversas formas possíveis. Iniciamos por Educação Cósmica: Big Bang, Sistemas solar, constelações, planetas e por ai vai, tudo que se relacione ao espaço. As atividades serão realizadas ao longo de um mês, com atividades cotidianas sobre o tema seja ler um texto, ver um vídeo, desenhar, pintar, recortar e o mais importante vivenciar, nesse caso ao fim desse tema pretendemos visitar o planetário.

Você demonstrou interesse nas atividades e curtiu as primeiras, espero que continue assim. Infelizmente não temos por perto escolas montessorianas, e a escola “normal” apenas se importa em passar o conteúdo, se foi bem assimilado ou não é outra questão. Desejo que esse processo, as vivencias e o conhecimento possam te trazer mais criatividade e te estimular de uma forma lúdica; diferente de quando realizamos essas atividades com crianças pequenas onde presentamos tudo pronto e elas apenas se maravilham, nós construiremos o conhecimento juntos.

 

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Gataiada… e os cachorros tbm.

Resolvi escrever um pouquinho sobre nossos filhotes de bigode e rabinho, afinal eles estão presentes desde o seu nascimento e tiveram participação no seu desenvolvimento.

Eu sempre tive uma relação muito forte com gatos, o meu primeiro foi com uns 5 anos, uma gatinha que apareceu em casa, ficou por um tempo e depois foi embora, e em seguida arrumamos outro. Cheguei a ter por um tempo um cachorro, e adorava ele, mas sempre tive um preferencia por gatos. Acho que isso se deve ao fato deles serem mais na deles, independentes, carinhosos mas não pegajosos rsrsrsrs

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Quando você nasceu havia 3 gatos na nossa vida: Lucky, Snarf, que moravam em Joanópolis, e Linux que morava com a gente em São Paulo. O Linux foi o primeiro a perceber sua existência, ele dormia na minha barriga e do nada parou, logo descobrimos que você estava lá. Quando chegamos com você do hospital, a primeira coisa que fiz foi abaixar para ele ver você (o que deixou sua avó Shirley brava, pois ela esta super ansiosa).

Ele cuidava muito bem de você pequeno, deitava no seu berço a noite, sempre tampando de onde vinha corrente de ar, ficava passeando em volta de você o que te estimulou a virar o pescoço e o corpo bem rápido, logo você estava minhocando e engatinhando para ir atras dele, ai ele nunca mais teve paz. Quando não queria papo ele subia em cima do guarda-roupa, mas quando queria brincar te dava tapinhas na bunda e saia correndo, para você ir atras, era hilário. Quando mudamos para Joanópolis ele deixou seu espirito livre comandar, então passamos a conviver um pouco menos e ele é mais na dele, mas as vezes tem seus momentos de fofura.

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Você conviveu pouco com o Lucky, ele morreu quando você tinha 3 meses e eu fiquei muito mal, ele era minha alma gêmea, conversava comigo, fazia carinho, estava comigo a 9 anos. Já o Snarf nunca te aturou, ele só aparecia para ficar comigo quando você dormia, e não perdia a chance de miar feio e até de dar umas mordidinhas de aviso quando você ia mexer com ele, sem duvida ele é o mais ciumento.

Já Haru, ela é primavera, é florescer, veio para gente em um momento muito difícil quando a vó Maria se foi, e desde que chegou você é dela (não o contrario, aceite). Você não estava falando muito quando a vó se foi, estava tristonho o que é completamente normal, mas não sabíamos o que fazer, porém foi só ver ela que você se iluminou, colocava luva e mascara e ajudava a cuidar dela. E hoje ela é seu grude, sabe a hora que você chega da escola e faz escanda-lo quando você sai no meio do dia.

Clarinha nos escolheu, estava a uns dias rodiando nossa casa, e eu te pedia para dar comida e água para ela na rua, pois tinha medo que os outros gatos machucassem ela. Mesmo com todas as adversidades, gatos hostis, ela veio pra cá e trouxe seus filhotes magricelas, pois percebeu que se ficasse onde estava eles morreriam. Dos três que ela trouxe, ficamos com dois, Thor, o bonachão preguiçoso e Yami, o explorador da vizinhança.

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O Lupim é o único cachorro que você convive diariamente, com uma relação de afeto mais próxima, ele é o cachorro da casa da vó Shirley e do vô Walter, e morre de amores por você. Quando bebezinho você convivia muito com a Raposa, a cachorra da tia Angela, ela chegava a brigar comigo por causa de você, tirava sua meia só para lamber seu pé.

Na casa da vó Silvana hoje em dia tem duas cachorras também a Amélia e a Flor, e você tem uma ótima relação com elas, assim como com os gatos Miró, Preta e o coelho.

Acho que a relação com animais é extremamente importante para o desenvolvimento de uma criança, muitas vezes aprende-se mais sobre respeito e limites com eles do que com humanos. Aprendemos que cada um tem uma personalidade, um jeito de ser, cada um gosta de brincar, ganhar carinho completamente diferente do outro.

Sou muito orgulhosa do como você gosta e respeita os animais. Você conhece todos os cachorros do nosso bairro, e muitos outros da rua também, e isso é um drama pra mim porque você quer ir fazendo carinho em todos que encontra pelo caminho. Nos últimos tempo você vem dizendo que quer trabalhar em petshop cuidando, dando banho em cachorros rsrsrs. Não ficamos te perguntando o que você será quando crescer, pois acreditamos que você tem que ter liberdade e tempo para escolher e decidir isso, essa decisão será sua e desejamos que você escolha o que te faça feliz.

 

Bem vindo ao seu segundo setênio

Parece que faz um século que não escrevo aqui. Como já falei em outros momentos este lugar é meio que meu refugio para falar com você, espero que você possa ler sobre como foi tua vida, através dos meu olhos, e fique feliz, porque sem duvida alguma você é muito amado.

Hoje é seu aniversário de 7 anos, sei que todo mundo quando vai falar dos filhos ou da própria trajetória diz que passou voando, que num piscar de olhos o tempo passou. Mas sinceramente não vejo dessa forma, acredito que curti cada fase sua até agora e tenho orgulho do ser que você esta se tornando.

Nos últimos anos passamos por muitas coisas, desde a mudança para Joanópolis, minha faculdade, cuidar da vó Maria e depois aprender a viver sem ela, cuidar de um monte de gatos, conviver com avós, primos, madrinha e padrinho, tios, fez com que a vinda pra cá fosse mais fácil e animada.

Quando volto no tempo, e me recordo do dia de hoje a 7 anos atras percebo que você ainda na minha barriga já era esse serzinho especial. Você sempre foi muito tranquilo, me avisou devagarzinho que viria, era cedo mas eu tinha um pressentimento (talvez fosse você sussurrando no meu ouvido que queria chegar a tempo de assistir o casamento dos seus padrinhos rsrsrs) então não me preocupei.

Você me deixou ir ao shopping comer, onde eu e teu pai pudemos caminhar, conversar e nos energizarmos para te receber logo. Você é sensível, e assim também foi aquele dia, quando percebeu que fiquei nervosa pelo que as medicas me diziam, ficou quietinho e dormimos, e quando acordei conversamos e você retomou pouco a pouco a vontade de sair do seu abrigo.

Eu amava a risada boba e o seu cheirinho de bebê, como ficava vidrado no linux, nossas voltas de sling, mas não sinto falta do que já passou, eu curti. Pois eu amo ainda mais sua risada besta que contagia, seu jeito meigo, sua sensibilidade.

Amo ver que você também ama gatos ( e todos os cachorros da rua), que gosta de arte, que adora ir pra escola, como é meu companheiro de caminhadas, de passeios em SP discutindo tudo que vemos, nosso companheiro de séries, filmes, música e jogatinas (cheio dos esquemas no rouba monte e Uno).

Você é uma criança incrível, educada, atenciosa e engraçada. Essa nova fase traz com ela muitos novos desafios e estaremos junto com você para te apoiar. Não só seu pai e eu, mas você tem muitas pessoas que te amam e vou te contar que você ainda não sabe a sorte que tem por te-las na sua vida.

Bem vindo aos 7.

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Sobre crescer e perder a graça… não pra mim

Uma vez, antes de engravidar, conversando com uma amiga ela me disse sobre como a criança perde a graça quando se aproxima dos 5 anos. Achei isso meio fatalista, que devia ser uma coisa localizada, talvez só da família dela, sei lá. Até então meus sobrinhos tinham por volta de 2 e 4 anos, e pra mim continuava tudo igual.

Ela explicou que ainda no caso de meninos isso fica ainda mais forte, é como se até os 5 anos eles pudessem falar o que quisessem, as pessoas ensinavam a falar palavrão, pedindo pra que ele repetisse e todo mundo achava graça, mas depois começavam a podar, como se fosse a coisa mais errada do mundo, e se perguntar de onde veio isso, memória seletiva para esconder que fez merda, essa é a verdade.

Ai Yuri nasceu, e eu me vi rodeada por pessoas, os primeiros meses foram cheios de pessoas em casa, muitas continuaram aparecendo por um bom tempo, ou se comunicando pela internet, davam noticias, perguntavam sobre ele, elogiavam seu crescimento e como estava ficando bonito. Óbvio que como mãe isso me deixava feliz.

Mas a cada ano que passou esse numero de pessoas foi oscilando, pessoas deixavam de estar no nosso circulo e outras entravam, não por brigas ou fatalidades, naturalmente, coisas da vida corrida, da falta de tempo, dos compromissos, do ser adulto. Porém o que muitas delas não sabem é que o Yuri sentiu essa ausência, nós também, se escondem atrás da ideia que criança pequena não lembra muito das coisas, mas lembram sim.

Enquanto ele era bebezinho que só fazia sujeira, falava errado, andava torto, e ria de qualquer coisa era lindo para os outros, mas sinceramente nunca vi graça em bebes. A verdade é que quando ele foi se tornando um ser mais interessante, questionador, curioso, explorador, com quem da pra bater papo, jogar bola, pintar, assistir um filme juntos, foi quando as pessoas foram saindo da vida dele, e já não conhecem mais o mundo dele.

Vivi de verdade cada estágio do Yuri, e não troco o menino de hoje pelo bebezinho de 4 anos atrás. Ele esta se tornando uma criança incrível, olhar o mundo pelos seus olhos, abrem ainda mais os meus, sinto pelo que estão perdendo isso. Não apenas em relação ao Yuri e sim a todas crianças em crescimento, tenho prestado bastante atenção nisso e vejo com tristeza como minha amiga estava certa.

Agradeço ao universo poder viver tudo isso com ele, e com outras crianças, “sobrinhos” que a vida me deu, muitos moram longe mas me sinto colada a eles, acompanho seu crescimento, alguns tenho comigo que ajudei a vir ao mundo e hoje os vejo se tornarem seres ainda mais interessantes.

A vida é um vai e vem, mas somos nós que escolhemos onde queremos estar.

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Releitura: O filho do homem – Magritte

Seresteiro de Acapulco

tubarão tubarão tubarão

o tubarão só quer o seu Mor

mas o Mor não é tubarão

é dinossauro”

Cantada com muito sentimento na voz, no melhor estilo dor de cotovelo.

Alguém me diz de onde ele tira essas idéias? Rsrsrs

Texto: O quadro – sobre criatividade

O QUADRO.

Uma vez um menininho foi pintar um quadro.

Botou o papel no cavalete, E olhou todos os potes de tinta

Na sua frente.

“O que você vai pintar?” – perguntou a professora.

“ O céu” – disse o menininho.

– “Eu vou pintar o céu”.

“Ótimo!” – disse a professora,

“Você tem bastante tinta azul?”

“Sim”. – disse o menino.

E ele pegou o pincel azul

E fez uma larga faixa na parte superior do papel.

“Aí” – disse ele, “Aí está o céu azul”,

E ele procurou a professora

Mas ela tinha ido.

Então o menininho olhou para fora da janela

Para ver se o céu parecia real.

E ele parecia.

Mas era o céu sempre azul?

O menino largou o pincel azul

E pensou sobre o céu.

“Às vezes” – penou ele – “antes da noite,

O céu é cor-de-rosa, e um pouco vermelho”.

Então ele pegou o pincel rosa e depois o vermelho

E logo houve um pôr do sol no seu papel.

E então o menininho recordou o inverno

E como ficava o céu quando a neve caía,

Então ele pegou o pincel branco

E fez macios flocos de neve por tudo.

O céu azul, rosa e vermelho

E alguns flocos se misturaram

Para fazer mais cores, e o menininho sentiu-se feliz

Como ele sempre se sentia quando caía neve

No inverno.

E quando ele já ia largar o pincel

E terminar, ele recordou um dia de verão

Quando o eu ficou escuro.

E ele recordou que tinha se assustado,

E corrido para contar à sua mãe.

Assim, agora ele pegou o pincel negro

E pintou grandes nuvens de tempestade

Com raios vermelho e laranja

Relampejando entre elas.

“Também está trovejando” – murmurou o menino para si mesmo.

“BUM! BUM! BUM! E o vento está soprando”,

E ele fez a chuva cair – chuva forte –

Em longas linhas verdes através do céu,

E todas as cores correram juntas em arco-íris

Para o pé do papel.

“Agora vou fazer o sol brilhar”,

Disse o menininho para si mesmo,

E ele fez um sol grande e redondo no meio do papel.

Mas o quadro estava tão molhado

E nele havia tantas cores

Que o sol amarelo ficou marrom no céu.

Mas o menininho não se importou –

Seu quadro estava terminado

E tinha ficado bem como ele queria.

E ele procurou a professora

E logo ali estava ela

Parada ao lado do cavalete e olhando todas as cores:

Todo azul e o rosa e o vermelho;

Todo o branco e o preto;

Todo o laranja e o verde;

E o amarelo que tinha ficado marrom.

A professora olhou para todas as cores molhadas e gotejantes

Que tinham corrido juntas

Na neve, no vento e na chuva

Do quadro do menininho.

E ela disse: “Meu Deus!”

“Eu pensei que você ia fazer o céu!”

“Eu fiz!” – disse o menininho

“Eu fiz todos os céus que eu conheço!”

E ele tirou a pintura do cavalete

E cuidadosamente a pôs para secar.

(Helm Buckley)

É assim q a criança pensa o desenho. É crime fazer com q uma criança de pouca idade faça um desenho de observação! Cor é sentimento e é assim q ela escolhe com q cor vai fazer o sol, o céu, a grama. Não tem nada haver com realidade e sim afeição!!! (http://www.kidsindoors.com.br/2010/06/o-quadro.html?m=1#kidsindoors)

Ele é pequeno e muito engraçado – cap 2: pinguins

Yuri um dia a gente vai morar num lugar que tenha gelo?

Yuri: Siiiiiiiim, e eu vo ter um pinguim que não morde.

Então ta.

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